Lombociatalgia crônica: Quando a dor não passa com tratamento conservador.
“A descompressão neural das raízes por Endoscopia da coluna lombar é a solução”, garantem Edward Robert e Renato Bastos, cirurgiões especialistas no procedimento. Leia mais...
Histórico clínico e indicação cirúrgica
Paciente, 51, atendida no ambulatório da OrtoCenter , relatou aos doutores Edward Robert e Renato Bastos , que vivia há muitos anos com lombociatalgia crônica .
O quadro clínico, segundo os médicos , apresenta características sugestivas de comprometimento radicular, principalmente na raiz S1, com manifestações adicionais compatíveis com envolvimento da raiz L5 .
A paciente sentia dor persistente na região lombar que refletia no membro inferior direito e esquerdo com menor intensidade.
A dor irradiava, também, para a região glútea, face posterior da coxa e perna e quando ela caminhava ou fazia exercícios sentia cãibra e sensação de peso nas pernas (claudicação intermitente).
Durante longo período, a paciente foi submetida a sucessivas avaliações clínicas e exames complementares.
“Diante da persistência dos sintomas e ausência de resposta satisfatória às diversas tentativas com tratamentos conservadores indicamos a descompressão neural por via endoscópica a nível das raízes L4–L5 ” , assinalam os doutores .
Ressonância Magnética
O exame de imagem da coluna lombossacra , evidenciou volumosa hérnia discal nas raízes L4 e L5, com componentes posterior e posterolateral, determinando importante comprometimento do canal vertebral e compressão da raiz descendente L5.
O volume significativo do material herniado também provoca compressão do saco dural, principalmente em sua região anterior.
Saco dural (ou saco tecal)
Membrana resistente da dura-máter que envolve a medula espinhal e as raízes nervosas no interior do canal vertebral .
Dura-máter
Camada mais externa, espessa e resistente das três meninges.
“Observamos, ainda, a presença de outra hérnia discal no nível das L5 e S1 , considerada durante o planejamento terapêutico e nas orientações pré-operatórias ”.
Considerações anatômicas deste caso
Um aspecto particularmente interessante foi a presença de manifestações clínicas compatíveis com comprometimento simultâneo das raízes L5 e S1 , apesar de a principal lesão compressiva estar localizada em L4 e L5 .
“Anatomicamente, no nível das L4 e L5 , encontramos a raíz emergente L4 e a descendente L5 , complementam.
Entretanto, quando uma hérnia discal apresenta volume suficientemente importante para comprometer a região central do canal vertebral , pode ocorrer compressão significativa do saco dural , envolvendo as raízes da cauda equina que ainda percorrem o interior do saco dural .
Cauda equina
Conjunto de raízes nervosas que se parecem com a cauda de um cavalo. Elas controlam o movimento e a sensibilidade das pernas, além do funcionamento da bexiga, do intestino e dos órgãos sexuais.
Dessa maneira, uma volumosa hérnia discal central nas L4 e L5 pode produzir manifestações clínicas relacionadas não apenas à raiz descendente L5 , mas, também, às raízes sacrais , incluindo a S1 .
“É importante ressaltar, que, nesse mecanismo, a compressão das raízes sacrais ocorre por deformação do saco dural e de seu conteúdo, não necessariamente, por compressão individualizada da raiz S1 no recesso lateral das L4 e L5 ”, complementam.
Esse mecanismo constitui uma explicação anatômica plausível para a apresentação clínica da paciente , embora a participação da hérnia nas L5 e S1 na sintomatologia de S1 também deva ser considerada.
Orientações pré-operatórias
Durante as consultas anteriores ao procedimento, a paciente foi esclarecida sobre a presença de alterações discais em dois níveis, L4 e L5 e L5 e S1 .
“Explicamos, que, a intervenção, inicialmente proposta, seria direcionada à lesão predominante em L4 e L5 , responsável pelo importante comprometimento do canal vertebral e da raiz L5 ”.
A paciente , também foi orientada sobre a possibilidade de persistência ou aparecimento futuro de manifestações radiculares relacionadas à hérnia discal existente no nível inferior, L5 e S1 .
Nesse nível, a raiz L5 encontra-se em posição emergente, enquanto a raiz S1 percorre o recesso lateral como raiz descendente.
Na eventualidade de persistência da sintomatologia , associada à confirmação de compressão neural, clinicamente relevante, poderá ser considerada nova abordagem endoscópica no nível das L5 e S1 .
Abordagem conservadora
Caso ocorra, manifestação clínica futura , relacionada à lesão L5 e S1 , os doutores Edward Robert e Renato Bastos, indicam:
“Conforme a indicação individual Acupuntura, exercícios de alongamento, Fisioterapia, fortalecimento muscular, Pilates, Reeducação Postural Global (RPG) e controle ponderal, ou seja: comportamentos e acompanhamentos voltados para a manutenção, redução ou ganho saudável do peso corporal”.
Procedimento por via endoscópica interlaminar, a nível L4 e L5 em 14.10.2026
Descrição da técnica cirúrgica
1ª etapa: ótica de estenose
“Inicialmente, utilizamos a técnica , que, devido ao seu maior diâmetro e às características de trabalho, facilitou a abordagem inicial das estruturas posteriores do canal vertebral ”, descreve a equipe cirúrgica .
Em seguida, procederam à exposição das estruturas ósseas e articulares, seguida de liberação parcial dos elementos articulares necessários à ampliação do acesso e à descompressão neural .
“Na sequência, realizamos a ressecção do ligamento amarelo (ligamentum flavum), permitindo o acesso ao canal vertebral e a identificação das estruturas neurais”.
2a etapa: troca da ótica de estenose pela ótica interlaminar
A troca de técnicas possibilitou a abordagem mais direcionada da hérnia discal.
“Identificamos volumoso material discal herniado, ocupando a região posterior e posterolateral do espaço das raízes L4 e L5 , com importante extensão em direção à face anterior do saco dural ”.
Com a retirada cuidadosa do material herniado, realizaram a descompressão da raiz descendente L5 e da face anterior do saco dural
“Ao término dessa etapa, exploramos a liberação da região ventral do saco dural e removemos o material discal responsável pela compressão central”.
Procedimento finalizado com sucesso em cerca de 1 hora e 50 minutos.
Considerações finais
Objetivos principais do procedimento
- Retirada da volumosa hérnia discal L4–L5;
-Descompressão das estruturas neurais comprometidas.
Destaques
- A correlação entre a distribuição clínica dos sintomas;
- A anatomia do canal vertebral, especialmente, diante de hérnias discais volumosas capazes de provocar compressão central do saco dural .
Evidências
- A sintomatologia compatível com a raiz S1 não implica, obrigatoriamente, compressão isolada dessa raiz a nível das L5 e S1 , uma vez que lesões centrais extensas em níveis superiores podem comprometer múltiplas raízes da cauda equina ;
- A presença de hérnia concomitante nas L5 e S1 exige acompanhamento, pois também representa uma possível origem da sintomatologia sacral.
Agradecimento especial a equipe cirúrgica : Edward Robert Orr e Renato Bastos (cirurgiões ortopédicos), Leonardo Ferreira (anestesiologista) e Marisa Brandão (instrumentadora cirúrgica) pela dedicação, colaboração e participação durante o procedimento.
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Fonte: Assessoria de Imprensa, Comunicação e Marketing da OrtoCenter
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